Eu sempre me considerei muito romântico.
Boa parte da minha vida, naqueles tempos em que eu pensava que a solidão seria minha única companheira, eu sempre me achava romântico.
Fazia planos de como cortejar, de como paparicar, de como manter uma chama acesa. Isso era bem legal e me motivava.
Quando finalmente descobri o amor, tenho certeza que coloquei esses planos em prática. Eram cartas, músicas, declarações. Esse romantismo aflorou muito em mim e foi bom demais. Fui muito correspondido também. Era um tempo muito bom.
Com a separação e as crises que vieram, esse romantismo sumiu. Eu sentia, quando cortejava outra pessoa, que não era ali que meu esforço deveria ser canalizado. Que havia algo falso. A coisa não fluía.
Por mais que eu fosse educado, galanteador e charmoso, não conseguia ser romântico.
Depois de separado, quando ainda tinha algum contato com ela, aquele Marcos aflorava de vez em quando. Mas sempre com ela. Com qualquer outra pessoa a coisa era mecânica. Artificial. Com ela, a natureza ditava o ritmo. O mar seguia seu curso.
Bom... Hoje a distância impera. Os últimos acontecimentos vieram como bombas e realmente minha decepção foi grande. Ok, vida que segue.
O curioso é que parece que meu romantismo está aflorando, sabe? Meu receoso, meio desconfiado, mas ele tá por aqui. E isso é muito bom.
É tempo de viver. É tempo de ser feliz. É tempo de ser romântico.
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